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Filho de Datena se diz estigmatizado pelo vício: "Foi há mais de 20 anos"

Leo Dias

2021-06-20T19:10:04

21/06/2019 10h04

Vicente Datena (Foto: Divulgação)

O jeito sincero e direto de falar não esconde de quem ele é filho. Vicente Datena, de 38 anos, um dos cinco filhos de José Luiz Datena, se prepara para, assim como o pai e o irmão, Joel, seguir o caminho da televisão. Ele será apresentador do programa "Na tela", na afiliada da Band de Goiânia, e comandará um jornalístico no mesmo estilo do que o pai apresenta em rede nacional, mas na hora do almoço, o que, segundo ele, pede alguns temas mais leves.

Advogado que já sonhou em ser delegado federal e que quase entrou para a política, Vicente tem como padrinho e amigo Jorge Kajuru, e tem seu senso de justiça apurado, assim como o pai, querendo denunciar em seu programa "toda a bandidagem", especialmente política, um dos interesses principais de seu novo público em Goiânia.

Até a notícia de que comandaria um programa na televisão, Vicente, que já tinha feito alguns trabalhos como repórter, ganhou manchetes na mídia apenas por um drama sofrido. Ele foi usuário de crack, dos 16 aos 19 anos, história contada pelo próprio pai em diversas entrevistas e que, segundo Vicente, ficou totalmente no passado. Ele, inclusive se assustou, ao perceber que ainda é estigmatizado como "ex-viciado", sendo que esse episódio aconteceu há 20 anos e, nem de longe, faz parte da realidade atual do apresentador.

Em entrevista exclusiva ao Blog do Leo Dias, Vicente Datena faz questão de frisar em todos os detalhes a admiração e inspiração que tem em seu pai, conta que não tem medo de denunciar o que for preciso em seu programa, e – com um 'jeito caipira' do interior de São Paulo, de Ribeirão Preto – não tem nenhum deslumbramento com a televisão, apenas o sonho de viver em paz com a família. Ele revela que o espiritismo e o amor da família o ajudaram a deixar as drogas quando jovem.

Leia a entrevista completa com Vicente Datena:

Como surgiu a oportunidade na Band Goiânia?

Diferente do meu pai e do meu irmão Joel, que tem um programa atualmente de pesca, pra mim o melhor no segmento, eu fiz poucos trabalhos na televisão. Fiz algo como repórter, já tive a intenção de ter um programa de viagens, mas nada concreto. Me formei em Direito, queria ser delegado federal, me mudei para Goiânia, e muita coisa foi acontecendo. E de repente veio agora esse convite da Band Goiânia.

Seu programa será ao vivo. Não te dá medo?

O meu maior medo é com o meu jeito. Eu sou bem parecido com o meu pai, meio agressivo. Difícil de segurar o que penso e saio falando. Isso é bom, adoro meu jeito, mas me dá medo. Eu sou um cara limpo. O que você me perguntar eu falo na lata, não escondo. Sou bem claro.

Mas em frente às câmeras é diferente, né?

É sim. Eu, por exemplo, fico muito bravo com a bandidagem por aí. Hoje é perigoso sair falando sobre isso.

Datena e o filho Vicente (Foto: Reprodução)

Televisão ao vivo tem improviso, erros. Tudo isso é bem-vindo, certo? Está preparado?

Consigo me sair bem. Se der algo errado a gente dança um tango, uma valsa, algo assim, risos. Aprendi com meu pai. Eu já fiz alguns pilotos e me sai bem. O meu programa será bem parecido com o do meu pai, no mesmo estilo. Mas, como é na hora do almoço, não será tão pesado. Vamos falar de segurança pública e principalmente de política. Em Goiânia política faz sucesso, acredito que pela proximidade com Brasília.

Você se aventurou um pouco na política antes da televisão. Como foi?

O meu padrinho de casamento, que me conhece desde os 13 anos, é o Jorge Kajuru. Ele virou vereador em Goiânia e me chamou para trabalhar com ele. Eu fazia reportagens para ele. Aí as pessoas do partido começaram a perguntar o motivo de eu não entrar para política, era o PRP (Partido Republicano Progressista). Eles propuseram que eu fosse candidato a deputado federal, faria uma dupla com o Kajuru. Ele como senador. A gente estava bem engatado, pensamos muito, só que a família pesa muito e eles eram contra, tanto minha mãe quanto minha mulher. Aí decidimos juntos que eu não iria.

A família foi fundamental para sua desistência da política?

Total. Se dependesse da gente, eu ia. Queríamos ajudar na mudança da política. Mas, no final, a família pesou. Acho que foi a decisão correta. Eles ainda me convidam para participar de uma próxima eleição, mas foi melhor mesmo não ter entrado para a política. Foi também a decisão correta para o meu pai. Ele está quase para se aposentar, está na hora de descansar, curtir a vida dele. Ele tem diabetes, tem que se cuidar, trabalha muito.

Você acha que seu pai vai parar de trabalhar?

Difícil dizer. Meu pai se entrega demais para o programa. Muitos apresentadores vão lá na televisão e atuam, meu pai não, ele é verdadeiro. Ele ainda chega em casa todo cheio de adrenalina, estresse, pelos temas do programa. Meu pai não é um personagem, ele absorve aquilo lá e fica realmente revoltado com tudo. Isso também o desgasta. Eu sou igual meu pai, só que um pouco mais calmo, puxei um pouquinho da minha mãe nisso, risos. Meu pai é mais nervoso, mas talvez seja porquê já levou mais 'paulada'.

Está preparado para levar também essa 'paulada' já que vai se expor na televisão?

Claro. Só de sair a notícia de que serei apresentador já senti isso. Me ligaram para uma entrevista e colocaram no título relembrando o tempo que eu usei droga, isso foi há 20 anos, e colocaram como se fosse ontem. Eu era moleque ainda nessa época.

Foram três anos da sua vida nas drogas?

Cai nesse mundo ruim aos 16 anos, até os 19. Depois não usei nunca mais na vida. Usava crack, mas era uma mistura, um 'mesclado'. Um amigo da onça me ofereceu para experimentar. Dei um tapa no negócio e ficou ruim. Eu tive a sorte de ter um pai presente, família, uma mãe, tudo ali junto. Quando eu vi que aquilo estava prejudicando todos, sai fora.

Vicente Datena (Foto: Reprodução/ Instagram)

Como você parou de usar drogas?

Acho que foi um dia que cheguei estranho, eles me perguntaram, eu falei. Todos chorando, arrasados. Ouvi que eu estava destruindo todo mundo e não precisava disso. Aí eu parei. Acho que foi uma coisa meio espiritual. Na época eu até visitei o Chico Xavier, tenho até uma tatuagem em homenagem a ele no antebraço. Foi impressionante. Aquela visita mudou a minha vida. Senti um arrepio todo. Eu tinha uma família, mas muita gente não tem alguém do lado para ajudar. Isso é o problema da droga, e o traficante se aproveita. A droga hoje em dia não me representa de maneira nenhuma. A droga é terrível. Experimentar é furada, porque o negócio vicia mesmo. Foi o amor da família que me fez sair.

Qual é a sua fé hoje em dia?

Sou aberto a todas religiões. Frequento a católica, evangélica. O espiritismo também está marcado em mim.

E seu maior sonho. Qual é?

Envelhecer ao lado da minha esposa e criar as minhas filhas muito bem. Minha esposa é do interior, minha vontade é mudar pra lá e ficar lá bem tranquilo. Criar minhas filhas pra estudar, casar bem, e aí eu estou pronto para ir embora.

Sobre o autor

Leo Dias é jornalista e apresentador do programa “Fofocalizando”, do SBT. Foi correspondente internacional da rádio portuguesa RDP, passou pelas TVs Bandeirantes e RedeTV! e apresentou um programa na rádio FM O Dia, líder de audiência no Rio de Janeiro, onde entrevistava políticos, jogadores de futebol, dirigentes e muitos artistas. Assinou uma coluna de celebridades no jornal "O Dia" e também esteve nos jornais "Extra" e nas revistas "Contigo", "Chiques e Famosos", "Amiga" e "Manchete". Apesar dessa experiência, sempre se definiu como repórter, tamanha paixão pela apuração da notícia e pela vontade em produzir conteúdos exclusivos.Polêmico, controverso e dono de uma forte personalidade, Leo conquistou um público cativo por dar notas explosivas e audaciosas num mundo artístico mais conservador. Seu lema: “A fama tem um preço estou aqui para cobrar”.

Sobre o blog

Notícias exclusivas sobre o mundo das celebridades e os bastidores do show business no Brasil.